O Deserto Vermelho

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Monica Vitti

Fazer uma análise crítica de qualquer filme do Antonioni é uma tarefa hercúlea, que se apresenta não só pela interpretação do filme, mas também na forma de tentar explicar a história para um leitor que não esteja familiarizado com a obra do diretor. Ninguém melhor do que o Antonioni conseguiu traduzir e dar forma tão bem estruturada a um sentimento específico. O vazio existencial.

Seus planos longos, seus personagens atormentados, a diminuição do fator humano frente os cenários industriais, a frequente busca de algo pelas personagens que nunca se realiza enfim, a marca de Antonioni está impregnada não só nesse filme mas, em todo o cinema moderno especialmente no cinema novo.

Sobre o título do filme, o que melhor pode explicar é uma lenda que existe sobre o roteiro de Gritos e Sussuros do Bergman. Reza a lenda que no roteiro Bergman deixo bem claro que a cor predominante do filme deveria ser o vermelho, pois essa era a cor da alma.

No filme em questão acompanhamos Giuliana (Monica Vitti) uma dona de casa renegada física e pessoalmente pelo seu marido um operário com um cargo gerencial em uma fábrica próxima. Giuliana sofreu um “acidente” segundo seu marido e teve que ficar mais de um mês internada. Esse “acidente” só é revelado como uma tentativa de suicido por Giuliana para um amigo/amante quase no final do filme. Pode parecer uma história simples, banal, mas ai que entra o papel do diretor.

Retratada de maneira fragmentada e constantemente contrapondo imagem das pessoas com imagens da natureza devastadas pelo avanço industrial, Antonioni mostra de maneira clara onde essa sociedade vai nos levar. Tratando até de um tema muito comum nos dias de hoje. A poluição, os dejetos industriais que destroem a natureza são os subprodutos de uma avançada sociedade industrial, assim como as pessoas que nessa “avançada” sociedade vivem.

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Cinema francês – A Nouvelle Vague

A Bout de Souffle - Acossado - Jean-Luc Godard

Um dos mais famosos movimentos do cinema, a Nouvelle Vague ganha força na França durante os anos 1960. Ele surge com cineastas-cinéfilos vindos principalmente da revista Cahiers Du Cinema. Jovens franceses que buscavam mudar o cinema francês que, naquela época, estava estacionado no tempo.

A França sofreria diversas mudanças nos anos 1960. Enquanto em Hollywood, surgiam grandes ídolos do cinema como Marlon Brando e James Dean, na França a produção cultural havia estagnado. O conservadorismo reinava e os jovens começavam a se movimentar para lutar contra isso. Os movimentos estudantis se organizavam, para tomar força em 1968. Jornalistas cinéfilos se uniam para mudar os paradigmas do cinema francês e mundial.

Jovens como Jean-Luc Godard e François Truffaut começavam a produzir seus longas unidos pela admiração ao cinema. Desde os clássicos de Hollywood até Alfred Hitchcock, os filmes noir, os filmes do Nicholas Ray, Elia Kazan e sem esquecer os soviéticos Eisenstein e Dziga Vertov.

Estes cineastas se conheceram por meio da revista Cahiers du Cinema, criada em 1951, onde escreviam criticas e textos. Em suma, a Nouvelle Vague surgiu pois estes críticos resolveram colocar a mão na massa. Talvez, impulsionados pela morte de André Bazin, em 1958, que sequer chegou a assistir o primeiro longa de seu protegido, François Truffaut.

Truffaut dirigiu e escreveu o primeiro filme considerado parte do movimento, Os Incompreendidos. Em 1959, o longa que levou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, no mesmo ano em que Hirohima Mon Amour, de Alan Resnais, levava para casa o prêmio de critica.

Os Incompreendidos, não foi o primeiro filme a usar a câmera-stylo, filmes como Le Rideau Cremoisi de Alexandre Astruc, já faziam uso desta linguagem em 1953. Mas, certamente foi a partir deste filme que o cinema autoral começou a tomar forma na França.

400 Coups - Os Incompreendidos - François TruffautA câmera-stylo surgiu para apoiar o desejado cinema de autor. Onde o cineasta era responsável pelo roteiro e pela direção de seu longa. O resultado era um cinema mais intimista, pessoal e, claro, autoral. O filme quebrava como padrão estabelecido, sem desassociar-se do que eles consideravam bons filmes.

Pode-se dizer que o filme mais icônico do movimento é O Acossado, de Jean-Luc Godard. O filme se tornou o mais famoso pela mudança radical no modo como uma história era contada, que influenciou todos os outros filmes depois dele.

Outros filmes importantes que fizeram parte do movimento foram: Alphavile, de Godard,, Os Primos de Claude Chabrol, Jules et Jim e Os Incompreendidos de François Truffaut, entre muitos outros. Também compartilhando desse momento, mas não diretamente ligado a eles, podemos citar Alan Resnais com seu Hiroshima Mon Amour e O Ano Passado em Marienbad. Autores como Claude Chabrol e Eric Rohmer também dirigiram filmes muito importantes para a época.

Por fim, é possível afirmar que a Nouvelle Vague mudou por completo a forma como se faz cinema. Influenciando diretamente outros movimentos como o Cinema Novo e o cinema independente de Nova York. Além de ter introduzido linguagens cinematográficas que mais tarde foram absorvidas e popularizadas por Hollywood. Como, por exemplo, a câmera na mão. A Nouvelle Vague foi uma fase importantíssima do cinema mundial e nos trouxe muitos dos melhores filmes já feitos.

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Hiroshima Mon Amour

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Emmanuelle Riva e Eiji Okada

O filme que vou comentar aqui no blog é o primeiro do que eu chamo trilogia da memória – Hiroshima Mon Amour(1959), Ano Passado em Marienbad(1961) e Muriel(1963) – do diretor precursor da Nouvelle Vague, Alain Resnais. Eu coloco esses três filmes como uma trilogia pois de certa forma, os três filmes retratam o mesmo tema, a memória ou a falta de memória/esquecimento, tendo como pano de fundo os horrores de uma guerra.  O fato de colocar Resnais como percursor da Nouvelle Vague e não como um integrante do movimento, é por ele não ser tão próximo do pessoal do Cahiers du Cinéma e, seus curtas já influenciarem muito a linguagem mais livre da Nouvelle Vague, com destaque para o curta Noite e Neblina(a Ju Maffia vai comentar mais sobre a Nouvelle Vague e o cinema de autor no próximo post).

Outro ponto importante que diferencia Resnais dos outros diretores da Nouvelle Vague é como ele sempre opta por trabalhar com romancistas ou roteiristas deixando eles escreverem o roteiro ou o livro. É o caso de Marguerite Duras em Hiroshima Mon Amour, primeiro filme a ser comentado aqui. Por acaso – ou não – os três primeiros roteiristas que trabalharam com Resnais fazem parte de um movimento similar a Nouvelle Vague, só que na literatura o Nouveau Roman. Que pretendia renovar a literatura francesa e tem como principais expoentes a Marguerite Duras e o roteirista do Ano Passado em Mariembad, Allain Robbe-Grillett, que é considerado o papa  do Nouveau Roaman.

Hiroshima Mon Amour, começa com um casal se abraçado e se beijando, ela é francesa de Nevèrs e está em Hiroshima para fazer um filme ele é Japonês de Hiroshima e arquiteto. Após as primeiras imagens dos dois começamos a vagar entre corredores de um hospital, corredores de um museu que relembra a destruição da bomba. Ela narra as imagens enquanto ele diz que aquilo não aconteceu. Que ela nunca esteve lá. Nesse momento do filme Resnais mostra toda a sua habilidade como diretor, documentarista e montador. Imagens documentais dos sobreviventes, dos filhos dos sobreviventes são intercaladas com imagens de city tours pela cidade reconstruída sem nenhuma lembrança do que aconteceu. Depois desse começo brilhantemente dirigido ela observa ele dormindo. Um movimento involuntário da mão dele imediatamente acorda memórias que ela preferia esquecer.

O filme continua com ela dizendo que vai voltar para França no dia seguinte e os dois não vão poder continuar se vendo. Terminando aquela aventura. Ele ignora os pedidos dela e vai encontrar com ela no set do filme e começa a pressionar ela, fazendo perguntas sobre o seu passado em Nevèrs durante a guerra. Depois da pressão ela começa a se abrir e revelar sobre sua paixão adolescente durante a guerra. Ela teve um caso com um soldado alemão dentro da França ocupada e com o fim da guerra, o soldado é morto pelos franceses e ela sofre com as represálias, até de sua família. Teve os cabelos raspados, ficou confinada em um porão sendo constantemente humilhada. Com pena ou vergonha de sua filha, sua mãe ajuda ela a fugir para Paris. A forma como o diretor conta toda essa história com as suas imagens documentais, travellings, personagens sem nomes e diálogos fragmentados  modificou dramaticamente a forma de fazer filmes. Abrindo um novo caminho, uma nova forma de representar  e construir um filme. A importância desse filme não está na sua história de amor e sim, em como a guerra, para ambos os lados, foi devastadora e como ela nunca deve ser esquecida.

Assistir Hiroshima Mon Amour pela primeira vez é uma experiência única, assim como viver uma guerra deve ser, a personagem diz no começo do filme sobre o museu em Hiroshima, “Os filmes foram feitos o mais seriamente possível. É simples, a ilusão é tão perfeita que os turista choram. Pode-se zombar, mas o que mais um turista pode fazer senão chorar?”. Os horrores de quem viveu a guerra nunca vão ser sentidos por alguém que nunca passou por isso. O que devemos fazer é nunca esquecer para que isso nunca se repita. Hiroshima Mon Amour é um grande retrato de uma guerra e de um pós-guerra, permanecendo vivo e nos lembrando a brutalidade do ataque em Hiroshima.

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Nova Moviola!

Olá, eu (Carlos) e a Ju Maffia, estamos ressuscitando A Moviola, mas com um foco um pouco diferente de antes. A ideia na verdade veio da Ju e eu apoiei. Se você procura uma crítica ou resenha sobre algum filme antigo, onde você pode procurar? Se algum dia você se fez essa pergunta a resposta agora é  A Moviola.

O foco do blog, serão todos os filmes e de qualquer tipo até os anos 1989, e só.

Nós vamos postar quinzenalmente no blog sendo um post uma crítica e outro post uma resenha mais simples sobre algum filme ou mostra retrospectiva de algum cineasta.  Sem contar que vamos revelar qual será o filme da próxima crítica.

Para a primeira analise, eu escolhi o primeiro longa metragem de ficção do diretor esquecido  Alain Resnais, Hiroshima Mon Amour. Se você estiver interessado em assistir antes de ler a crítica pode procurar o filme em locadoras especificas de “filmes de arte”  ou no torrent. O filme não é tão obscuro quanto parece e vai ser fácil de achar considerando que foi lançado na coleção de clássicos da Folha de São Paulo alguns meses atrás.

Overdose de Hitchcock!!

Começou esse final de semana a Mostra Hitchcock, no Centro Cultural Banco do Brasil de S. Paulo e do Rio. Mais para frente a mostra também estréia no CineSesc. Em São Paulo, a mostra vai até o dia 24 de julho.

Preciso falar mais? Filmes do mestre baratinho minha gente!! Ainda dá pra aproveitar e passear pelo centro, conhecer o Municipal ou o ed. Martinelli.

Tem muito filme dele passando; os manjados como Psicose, os fodásticos como Festim Diabólico e meu favorito: Janela Indiscreta (com a linda Grace Kelly).

Pra quem curte suspense, ou quer conhecer a filmografia do mestre do suspense um pouco melhor, vale a pena😉.

Mais informações no site oficial.

Au revoir,

Ju Maffia

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Recomendações d’A Moviola

Ok para este fim de semana, são duas recomendações!

1. Tá rolando o Festival Varilux. Corram para os cinemas paulistas para aproveitar uma seleção bem booua de filmes franceses! Quero ver vários, vamos ver se sobra tempo!

Imagem de divulgação - Copyright: Festival Varilux de Cinema

2. Assistam Saturno em Oposição, dir. Ferzan Ozpetek, co-produção entre a italia, a turquia e a frança, que explora a amizade (seus limites e qualidades). O filme foi bem dirigido, sem erros e com uma história legal.

Au revoir,

Ju Maffia

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A Marvel se superou com X-Men: First Class

O review do filme, completo (e cheio de spoilers), está no Matraca Cultural. Por aqui só tenho uma coisa a dizer: foi genial!

Mentira tenho mais uma coisa a dizer. Alguém me dá o James McAvoy de presente? Quão surreal é ter uma queda pelo Professor Xavier?!

Au revoir,

Ju Maffia

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Alan Rickman se despede de Snape

Ju Maffia

Alan Rickman fez o papel de Severus Snape, personagem dos filmes do Harry Potter, por 10 anos. As chances dele não aguentar mais o mundo de Hogwarts eram grandes, mas Rickman afirmou que sentirá falta do papel e demonstra isso em uma carta aberta que enviou à Empire Magazine.

Com certeza, o personagem que mais sentirei falta é o de Rickman, com sua voz única e sarcasmo aguçado. Severus Snape é um dos melhores personagens que J.K. Rowling criou.

Esta foi a carta publicada pela revista. Feel free to read.

Woody divulga poster e vídeo de Midnight in Paris

Poster e vídeo de Midnight in Paris, novo filme do Woody Allen, foram divulgados na internetzz🙂

Fui dar uma fuçada no IMDB e achei curioso a escolha de elenco pra esse filme. Rachel McAdams e Owen Wilson? Não importa, por que eu adoro os dois! Além deles, participam do filme: Kathy Bates, Marion Cotillard, Adrien Brody e Michael Sheen (sem parentesco algum com Charlie Sheen, lembre de Anjos da Noite)

O Woody tem mania de escolher um pessoal que parece não ter muito a ver com seus filmes. Mas até ai Igual a Tudo na Vida, o filme com o Zach Braff e com a Christina Ricci, foi fantástico e quem apostava no ator de American Pie?

Juliana Maffia

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De Bogart a Nicholson – Os detetives de filmes noir

Nesses últimos dias resolvi me enfiar de cabeça nos filmes noir e neo-noir mais conhecidos. Bom na verdade fui escolhendo os filmes que tinham detetives, porque esse é o tipo de noir mais divertido, aquele detetive que fala baixinho, fuma um cigarro atrás do outro e trata mal os policiais. O gênero noir não é só feito de detetives fumantes, ainda existem as femme fatales, os ‘tiras’ e as boas moças. Mas sempre prefiro quando o detetivo é a personagem principal.

E por que resolvi ver todos esses filmes? Acho que vale a pena dividir isso com vocês porque é um evento legal… Resolvi participar do Script Frenzy, evento mundial onde você escreve um script (ou peça ou HQ) de 100 páginas em um mês. E nesse ano vou escrever um noir.

Enfim por isso resolvi compilar (palavra chique hahaha) a lista dos meus filmes favoritos de  noir com detetive. Por favor não estranhem a falta de grandes nomes do gênero, como A Marca da Maldade (Orson Welles), Pacto de Sangue (Billy Wilder), M (Fritz Lang), entre outros…

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1. À Beira do Abismo (The Big Sleep)

Lauren Bacall e Humphrey Bogart

Ok primeira razão pra correr pra locadora mais próxima e alugar À Beira do Abismo? O casal: Humphrey Bogart e Lauren Bacall. Coloque os dois juntos na tela e não tem como o filme não ser sensacional. Segunda razão? O filme tem um dos roteiros mais interessante e difíceis, de acompanhar. Durante todo o filme você questiona os motivos e decisões das personagens, além de nunca saber quem está no lado de quem. Definitivamente um must see do cinema noir! Além de ser meu noir favorito. À Beira do Abismo foi dirigido por Howard Hawks em 1946.

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2. O Falcão Maltês (Maltese Falcon)

Bogart (de novo) e Mary Astor

A busca por um artefato histórico que pode, ou não, existir. Esse é motivo que leva Humphrey Bogart a se envolver com Brigid. O que é fantástico no filme? Além do Bogart? A personagem de Mary Astor, uma perfeita representação da Femme Fatale. Sua coadjuvante passa o filme inteiro mentindo, Bogart as vezes finge que acredita, as vezes não. Mas ao todo se mostra forte aos encantos da moça e não cai na lábia dela. O Falcão Maltês foi dirigido por John Huston em 1941.

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3. Chinatown (Chinatown rsrs)

Jack Nicholson e Faye Dunaway

Chinatown é um neo-noir, estonteante. Abusa na violência e falta de moral (mas do que em outros filmes), ultrapassando os limites aos quais estamos acostumados. Por que ele é um neo-noir e não um noir? Porque foi filmado em 1974 e apesar de trazer temas tratados em filmes noir, é um filme bastante violento e pesado. Nele, Jack Nicholson é um detetive particular que, contra sua vontade, acaba se envolvendo numa investigação sobre a distribuição de agua da cidade de Los Angeles, também se metendo no meio de uma briga familiar que dá em morte e… bom não vou contar o final. Polanski não tem nenhum medo de chocar a plateia e para um filme de ’74, Chinatown, com certeza espanta. O filme foi dirigido por Roman Polanski em 1974.

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E um extra pra vocês, afinal tudo o que apreciamos na infância levamos pra vida.

Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit?)

 

Bob Hoskins e Roger Rabbit

Noir infantil (mas não tão infantil assim) com uma história muito criativa e atores fabulosos, tantos os reais quanto os desenhos. Roger descobre que sua mulher está o traindo com o Sr. Acme (sim, aquele ACME) e no dia seguinte o pobre homem aparece morto. É claro que Roger leva a culpa pelo assassinato e Judge Doom (Christopher Lloyd) quer destruí-lo por isso. Com a ajuda do detetive Eddie Valliant (Bob Hoskins), Roger descobre um plano maluco que envolve rodovias, assassinatos e a destruição de Toon Town. Ponto muito legal do filme: cartoons famosos aparecem bastante. Espere aparições de Mickey, Dumbo, Piu-Piu, Pernalonga, entre outros. Uma Cilada para Roger Rabbit foi dirigido por Robert Zemeckis em 1988.

Juliana Maffia

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