A Origem (Inception)

Depois de muita expectativa e tempo de espera, finalmente chegou aos cinemas o novo filme do diretor Christopher Nolan. Conquistando o mundo com O Cavaleiro das Trevas, que nos trouxe a melhor personificação do Coringa já feita (entre outros belos triunfos), Nolan estabeleceu um nível de qualidade em filmes hollywoodianos difícil de ser alcançada. Com A Origem, o diretor não só superou suas próprias medidas como criou um novo clássico da ficção científica.

No papel principal está Leonardo DiCaprio como Dom Cobb, profissional especializado num tipo muito característico de “roubo”: o das idéias. Retratado como um universo detalhado e complexo a níveis de Matrix (1999), o sonho é a plataforma de desenvolvimento do filme. Cobb, juntamente com uma equipe de profissionais, se infiltra no subconsciente de seus alvos e descobre seus segredos e planos mais secretos, daqueles que ainda estão apenas no campo das idéias. E isso é muito explorado no mundo empresarial, representando uma nova realidade em “espionagem corporativa”.

O que acontece é que o personagem de DiCaprio se tornou um fugitivo internacional, aparentemente sem chances de escapatória. Até aparecer um novo “empregador”, Saito (interpretado dignamente por Ken Watanabe). Novo pedido de “intervenção” e uma oferta inédita: ficha limpa para Cobb. Só que o trabalho é o inverso: não é uma extração, mas sim a inserção de uma idéia.

Como já dito, o universo criado é extremamente intrigante e completo. Cada uma das figuras tem papel específico em toda a operação: a arquiteta (Ellen Page, competente como sempre), o falsificador (Tom Hardy, também ótimo) e até o cara que tem que resolver as coisas “na mão” em determinados momentos (Joseph Gordon-Levitt, agora novo astro de Hollywood, com toda a justiça). Cillian Murphy, em mais uma interpretação interessante, é o empresário Robert Fisher, alvo de todo o plano. Estabelecidas as peças do jogo, é hora da partida. E, acredite, seu cérebro terá que estar bem preparado pra tudo isso.

A Origem é aquele tipo de filme em que dois minutos de distração podem comprometer muita coisa. A quantidade de informações é gigantesca e a ambição do projeto demanda muita atenção. Quando efetivamente a operação começa, tudo fica ainda mais empolgante, porque além da ação, o que se vê é uma porção de “camadas” de subconsciente simultâneas. Pra se ter uma idéia, há determinado momento em que Ariadne (Page) diz: “Só um minuto. Em qual subconsciente estamos entrando mesmo?”.

Além do roteiro intrincado e impressionante, é não se pode desprezar a qualidade técnica do filme. Os efeitos especiais são absurdos e as locações são as mais diversas, visto que as filmagens aconteceram em várias partes do mundo (o que inclui uma região montanhosa totalmente coberta pela neve). É tudo grandioso. A realidade mental também proporciona cenas incríveis, como a cena de Paris se dobrando a um pensamento (literalmente) e a cena em que Artur (Gordon-Levitt) luta contra os seguranças num corredor onde a gravidade muda de lado (SIM, É ISSO MESMO). Aliás, essa cena por si só já causou problemas para Matthew Vaughan, diretor do próximo X-Men, que teve que mudar 12 páginas de script por semelhanças com essa parte do filme de Nolan.

Muito se questiona com relação ao filme como um todo devido ao seu final. Obviamente aqui você não lerá nenhum spoiler, mas fica a dica: não assista sozinho. É quase incontrolável a vontade de comentá-lo no final da exibição. O slogan do filme, dito por DiCaprio no começo e trabalhado por Nolan durante todo o longa, de alguma forma se aplica a nós, espectadores. É muito subjetivo de se afirmar isso mas, assistindo ao filme, faz todo sentido. E, como não poderia deixar de comentar, Marion Cotillard dá um verdadeiro SHOW e representa o belo tormento do filme. Michael Caine também faz uma ponta, com o mesmo talento usual.

Não perca A Origem no cinema. Se possível, assista em Imax, para uma experiência ainda mais especial. Eu já vi duas vezes. E estou longe de decifrar tudo que há para ser compreendido. Ponto para Nolan, que mais uma vez criou algo surreal.

Vitor Gonçalves

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Um pensamento sobre “A Origem (Inception)

  1. Adorei. É uma resenha jornalística né Vítor, não tem nem como você simplesmente dizer tudo o que acha do filme porque é pessoal demais e aqui é lugar de informação. Mas gostei, dá uma boa geral do filme e estimula as pessoas a ir ao cinema, sem entregar pontos importantes do enredo.
    E Inception é foda, não tem nem o que dizer. Sinto que irei durante essa semana mais uma vez.

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