Arquivo do autor:Vitor Gonçalves

Cisne Negro – Uma jornada à transcendência

Darren Aronofsky sempre foi um diretor que gosta das coisas viscerais. Desde seu primeiro longa-metragem, o impressionante Pi (1998), há um flerte entre uma abordagem realista e intimista sobre os personagens e o surrealismo de seus pensamentos. Tudo para criar algo que reflita exatamente o teor emocional daquelas vidas ali retratadas. Em Cisne Negro não é diferente.

O que é diferente é que o filme tem Natalie Portman no papel principal de Nina, uma bailarina perfeccionista que busca uma oportunidade de mostrar todo seu empenho. Até que é escolhida pelo diretor da companhia (o ótimo Vincent Cassel) para interpretar os dois papéis principais de O Lago dos Cisnes: o Cisne Branco, bom, puro e perfeito, e o Cisne Negro, mal, sedutor e visceral. Sim, VISCERAL. Não poderia ser melhor para um filme de Aronofsky.

O fato é que chega uma nova bailarina, Lily, que pende para “o lado negro da força” (ou Cisne Negro, como preferir) e dá um empurrãozinho na longa jornada de Nina à composição do seu personagem mal. Aliás, uma jornada que passa pelas emoções que criam coisas palpáveis e reais diante de nossa bailarina. É a partir daí que Aronofsky acha sua licença poética para construir suas cenas mais “pesadas” e surrealistas. O outro grande lance de Cisne Negro é que o diretor se aventura pelo suspense e pelo terror psicológico, tudo para sintetizar o que Nina está sentindo à medida que “se deixa levar”, como diz o diretor da companhia de balé.

Como é comum, Aronofsky consegue extrair de seus atores interpretações memoráveis. Mila Kunis prova aqui que não é apenas um rostinho bonito MESMO e empresta toda sua espontaneidade à sua personagem numa performance já premiada. Barbara Hershey, como a mãe controladora de Nina, dá mais medo do que algumas das cenas mais fortes, tamanho é seu controle sobre a filha. Winona Ryder, em sua pequena aparição, também é marcante…

E aí tem a Natalie.

Só pela versão Cisne Branco a atriz já é digna de aplausos (de pé). Sua delicadeza e esforço, não só físico (porque sua preparação foi digna de uma verdadeira bailarina) mas emocional são no mínimo impressionantes. Todas as cenas em que dança, com a câmera a seguindo e dançando junto, sob a paleta de cores sombrias de Matthew Libatique, são lindas e tocantes. Há uma tendência a usar  branco e o preto para simbolizar a dualidade dos cisnes (no começo Nina só veste roupas brancas e, conforme vai mudando, começa a usar cinza, até chegar no preto). A trilha sonora de Clint Mansell emula Tchaikovsky e, como seus trabalhos anteriores, é linda. (E não foi indicada ao Oscar, com a justificativa de que tem muito de Tchaikovsky e menos de Mansell. Aham.)

E finalmente o Cisne Negro. O fim do filme é uma das sequências mais marcantes dos últimos anos. É a prova da transformação final de Nina: é a personificação absoluta. A fisionomia de Natalie Portman nunca foi tão arrebatadora. É como se não fosse aquela moça delicada que todos nós vimos fazendo Amidala em Star Wars. Seu olhar é cortante. Seus movimentos são livres e sedutores. Não tem explicação. E é aí que Cisne Negro chega ao seu ápice para abordar a questão da arte e sua possibilidade de TRANSCENDÊNCIA. Ali não é mais Natalie nem Nina. É a incorporação de uma criação artística. E isso é lindo. LINDO. É tocante a forma como a arte pode levar o artista a patamares nunca antes alcançados. Não deixa de ser um escape; só que é mais que isso. É a síntese do “se deixar levar”. É a síntese de se valorizar com receptáculo de uma nova realidade, uma nova dimensão. Isso é arte. E este filme é um dos exemplares mais brilhantes.

Vitor Gonçalves

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A Origem (Inception)

Depois de muita expectativa e tempo de espera, finalmente chegou aos cinemas o novo filme do diretor Christopher Nolan. Conquistando o mundo com O Cavaleiro das Trevas, que nos trouxe a melhor personificação do Coringa já feita (entre outros belos triunfos), Nolan estabeleceu um nível de qualidade em filmes hollywoodianos difícil de ser alcançada. Com A Origem, o diretor não só superou suas próprias medidas como criou um novo clássico da ficção científica.

No papel principal está Leonardo DiCaprio como Dom Cobb, profissional especializado num tipo muito característico de “roubo”: o das idéias. Retratado como um universo detalhado e complexo a níveis de Matrix (1999), o sonho é a plataforma de desenvolvimento do filme. Cobb, juntamente com uma equipe de profissionais, se infiltra no subconsciente de seus alvos e descobre seus segredos e planos mais secretos, daqueles que ainda estão apenas no campo das idéias. E isso é muito explorado no mundo empresarial, representando uma nova realidade em “espionagem corporativa”.

O que acontece é que o personagem de DiCaprio se tornou um fugitivo internacional, aparentemente sem chances de escapatória. Até aparecer um novo “empregador”, Saito (interpretado dignamente por Ken Watanabe). Novo pedido de “intervenção” e uma oferta inédita: ficha limpa para Cobb. Só que o trabalho é o inverso: não é uma extração, mas sim a inserção de uma idéia.

Como já dito, o universo criado é extremamente intrigante e completo. Cada uma das figuras tem papel específico em toda a operação: a arquiteta (Ellen Page, competente como sempre), o falsificador (Tom Hardy, também ótimo) e até o cara que tem que resolver as coisas “na mão” em determinados momentos (Joseph Gordon-Levitt, agora novo astro de Hollywood, com toda a justiça). Cillian Murphy, em mais uma interpretação interessante, é o empresário Robert Fisher, alvo de todo o plano. Estabelecidas as peças do jogo, é hora da partida. E, acredite, seu cérebro terá que estar bem preparado pra tudo isso.

A Origem é aquele tipo de filme em que dois minutos de distração podem comprometer muita coisa. A quantidade de informações é gigantesca e a ambição do projeto demanda muita atenção. Quando efetivamente a operação começa, tudo fica ainda mais empolgante, porque além da ação, o que se vê é uma porção de “camadas” de subconsciente simultâneas. Pra se ter uma idéia, há determinado momento em que Ariadne (Page) diz: “Só um minuto. Em qual subconsciente estamos entrando mesmo?”.

Além do roteiro intrincado e impressionante, é não se pode desprezar a qualidade técnica do filme. Os efeitos especiais são absurdos e as locações são as mais diversas, visto que as filmagens aconteceram em várias partes do mundo (o que inclui uma região montanhosa totalmente coberta pela neve). É tudo grandioso. A realidade mental também proporciona cenas incríveis, como a cena de Paris se dobrando a um pensamento (literalmente) e a cena em que Artur (Gordon-Levitt) luta contra os seguranças num corredor onde a gravidade muda de lado (SIM, É ISSO MESMO). Aliás, essa cena por si só já causou problemas para Matthew Vaughan, diretor do próximo X-Men, que teve que mudar 12 páginas de script por semelhanças com essa parte do filme de Nolan.

Muito se questiona com relação ao filme como um todo devido ao seu final. Obviamente aqui você não lerá nenhum spoiler, mas fica a dica: não assista sozinho. É quase incontrolável a vontade de comentá-lo no final da exibição. O slogan do filme, dito por DiCaprio no começo e trabalhado por Nolan durante todo o longa, de alguma forma se aplica a nós, espectadores. É muito subjetivo de se afirmar isso mas, assistindo ao filme, faz todo sentido. E, como não poderia deixar de comentar, Marion Cotillard dá um verdadeiro SHOW e representa o belo tormento do filme. Michael Caine também faz uma ponta, com o mesmo talento usual.

Não perca A Origem no cinema. Se possível, assista em Imax, para uma experiência ainda mais especial. Eu já vi duas vezes. E estou longe de decifrar tudo que há para ser compreendido. Ponto para Nolan, que mais uma vez criou algo surreal.

Vitor Gonçalves

Superman dirigido por Nolan…mas não o Christopher

O boato mais recente que está rolando sobre o novo filme do Homem de Aço é que Christopher Nolan, um dos produtores e “mentor espiritual” do filme estaria fazendo um lobby inteeeenso para que seu irmão, Jonathan Nolan, dirija o longa. Obviamente que fica uma certa dúvida quanto a isso, pois Jonathan nunca dirigiu nenhum filme antes, só atuando como roteirista em praticamente todos os filmes do Christopher, como O Grande Truque, Amnésia e O Cavaleiro das Trevas (ou seja, ele é competente, sem dúvidas).

Além disso, Christopher Nolan não disse muito, mas pontuou algumas coisas. O filme não será uma sequência ou um reboot, mas será apenas “uma história de Superman”. O cineasta promete coisas típicas de um grande blockbuster, como cenas de impacto, diálogos ágeis, romance e muita ação. Porém, ao mesmo tempo, disse que haverá uma mudança “grande” na mitologia do personagem. Será isso uma sacada de gênio dos irmãos Nolan ou uma coisa a ser temida? Ninguém sabe ainda. O que se sabe é que a Warner tem planos de lançar o filme depois de Batman 3.

Não deixe o Belas-Artes fechar!

Pois é. Parece que o HSBC está saindo do papel de patrocinador do cinema que é um dos mais tradicionais de São Paulo. Pensando nisso, o Catraca Livre decidiu dar voz aos frequentadores e simpatizantes do lugar e está incentivando as pessoas a colocarem nos comentários um pouco do que acha, de alguma experiência que teve no Belas-Artes, dando um incentivo para que ele não feche. Se você também acha que um dos melhores lugares para se ver filme em São Paulo merece continuar funcionando, passa lá e deixe seu comentário também! Eu já deixei o meu!!

[REC]²: novo trailer

Quando você achava que não poderia haver algo mais assustador do que o que se passa no prédio em quarentena em [REC], eis que surge o trailer do segundo, que promete ser ainda mais assustador. O filme começa 15 minutos depois do término do primeiro, o que é interessante por alguns “ganchos” deixados ao fim do filme original. A estréia aqui no Brasil é 13 de agosto. Sim, uma sexta-feira 13. Do mal. 🙂

Vitor Gonçalves

O Segredo dos Seus Olhos x A Fita Branca

Quando todos esperavam que A Fita Branca fosse ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2010, o nome anunciado foi outro. O Segredo dos Seus Olhos. Filme argentino. E de suspense. Está certo que há também uma linha dramática em meio à história, mas o destaque mesmo vai para a trama policial. Enquanto isso, A Fita Branca era o concorrente “cabeça”: um filme de Michael Haneke, em preto e branco, com pouquíssima trilha sonora, longa duração e uma história reflexiva, portando toda uma análise social e uma contextualização histórica que tenta explicar um pouco do nazismo. Era uma briga interessante. E quem levou foi o argentino.

O filme de Juan José Campanella é mesmo ótimo. Na trama, um crime mexe com a cabeça de Benjamín Esposito (Ricardo Darín), que é enviado para o caso. Mas não é só isso que o inquieta: sua chefe, Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), também abala suas estruturas. Aí estão postos os dois caminhos a serem percorridos pela trama que não é totalmente linear e conta com flashbacks. Os demais personagens vão se encaixando e as informações sobre o que aconteceu, sobre o que eles estão falando e o porquê de todo o receio são elucidados sem menosprezar a inteligência do espectador.

Haneke não só não menospreza como exige muito. O único elemento que não segue a linearidade da história é o narrador, o professor que já sabe tudo o que aconteceu e nos conta, apesar de não ser o centro das atenções. Todos os holofotes estão voltados para as crianças. É incrível como foram bem dirigidas e expressam até os sentimentos que não podem ser expressos, devido à pressão que sofriam pela educação rígida ao extremo. E é incrível estarem inseridas num contexto tão terrível. Todas vivem numa aldeia onde coisas estranhas começam a atrapalhar o sossego e a mesmice de sempre. Quem será o responsável? Ou os responsáveis? Haneke segura o climão até o fim e deixa pontas abertas sem amarrar de uma forma interessante.

A Fita Branca exige um pouco mais de repertório do que O Segredo dos Seus Olhos. É muito mais fácil uma pessoa gostar do filme argentino do que do filme alemão. O filme de Campanella é muito mais explicado: o espectador sai do cinema com as respostas. Mas sem entregar tudo mastigado. Não é um daqueles suspenses hollywoodianos onde o que importa é segurar o suspense até o final para sustentar os sustos comuns. E também não há elementos sobrenaturais para investir: trata de pessoas. O filme de Haneke também: mais do que nunca, trata de pessoas, até mesmo de toda uma sociedade e de um acontecimento que mudou o mundo. Mas os dois tratam de formas bem diferentes. Sendo assim, a pergunta é: um é melhor que o outro?

Isso é uma boa pergunta. E aqui você não vai encontrar a resposta. Até porque é uma questão de gosto, e cada um tem o seu. Mas o ponto que se pode discutir é: qual dos dois filmes adiciona mais para uma experiência marcante? Qual dos dois, por sua própria condição em desenvolver sua história, abre possibilidades de análise e entendimento da narrativa? Nesse sentido, tenho que confessar que prefiro A Fita Branca. O filme argentino se encerra em si mesmo; o de Haneke, não.

O estranho é justamente a vitória de O Segredo dos Seus Olhos no Oscar, que normalmente premia filmes mais profundos. O exemplo máximo disso foi a própria premiação de 2010: o prêmio de melhor filme foi para o mais profundo dos favoritos (leia-se Guerra ao Terror), enquanto o filme com a maior bilheteria da história, e com a tecnologia mais moderna, apesar do roteiro mais do mesmo (leia-se Avatar) ganhou apenas prêmios técnicos. O que se passou na Academia? Difícil saber. O que é de fácil entendimento é que, se você ainda não o fez, precisa ver O Segredo dos Seus Olhos e A Fita Branca.

Vitor Gonçalves

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Coluna Dia-a-Dia

Alice do Tim Burton é um dos TOP 6

Como assim?? Bom, a nova versão da aventura da menina que cai num buraco e vai parar num lugar meio estranho entrou para o seleto grupo de filmes que alcançaram 1 bilhão de dólares em bilheteria mundial. Pelo jeito, mesmo com todas as críticas contra o filme em 3D não influenciaram o público em geral. Alice no País das Maravilhas está agora lado a lado com Avatar, Titanic, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Piratas do Caribe 3: O Baú da Morte e O Cavaleiro das Trevas. Chique hein, Tim Burton?

5 candidatos a Peter Parker

E estão dizendo por aí que a nova aventura do aracnídeo amigo da vizinhança está quase arrumando seu ator principal. São 5 agora os nomes que formam a lista:  Jamie Bell, Alden Ehrenrich, Frank Dillane, Andrew Garfield, e Josh Hutcherson. De todos esses, o mais conhecido é mesmo Jamie Bell, que despontou como o menino dançarino de Billy Elliot e também deu algumas sapateadas em King Kong. As filmagens começam ainda esse ano, então em breve já devemos sabemos quem será o próximo a vestir o colã vermelho e azul.

Dupla de 1408 em thriller de espionagem

O novo filme de John Cusack e do diretor Mikael Håfström, chamado Shanghai, ganhou seu primeiro trailer, com legendas em japonês. Parece um filme interessante, apesar de não muito original. Na trama, o personagem de John Cusack acaba indo para a cidade do título para investigar a morte de um amigo, mas pra variar um pouco se encontra no meio de conspirações. Além de Cusack, o elenco ainda conta com Gong Li, Ken Watanabe e Chow Yun-fat. O filme chega ao Brasil em 13 de agosto.

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Coluna Dia-a-Dia

Iñarritu – O Retorno

O novo filme do diretor mexicano Alejandro González Iñarritu, chamado “Biutiful” ganhou um primeiro trailer, que mistura cenas do filme com algumas de making-of. Agora sem o comparsa dos últimos filmes, o roteirista Guillermo Arriaga, Inãrritu concentra sua história em Uxbal, um médium que tem esposa bipolar, dois filhos pra criar, explora pessoas pra ganhar a vida e ainda descobre que tem câncer em estado terminal! Esse é o personagem de Javier Bardem, o terror das menininhas em “Vicky Cristina Barcelona” e que promete mais uma daquelas histórias de redenção e arrependimento. Parece que em Cannes, onde participa da competição, as opiniões estão divididas. É assistir pra ver.

Transformers sem Megan

É isso mesmo que você leu. Transformers 3 não contará com a ilustríssima presença da mais nova musa hollywoodiana Megan Fox. O motivo alegado é a de que uma guinada na história será o novo interesse romântico do personagem de Shia LaBeouf. Os testes de casting já começaram, com uma porção de modelos, obviamente. A saída da atriz se dá pouco tempo depois de ela ter comparado o diretor Michael Bay a Adolph Hitler e Napoleão Bonaparte, dizendo que ele é muito “rigoroso” no set de filmagens. Ok, Megan…

Liam Gallagher e os Beatles…de novo

E não é que o Liam Gallagher, agora sem a companhia queridíssima de seu irmão Noel, vai fazer um filme sobre os Beatles?? Deve ser a realização de um sonho, com certeza. O fato é que o britânico de Manchester disse que ele e sua nova banda criarão a trilha sonora do projeto. Segundo ele, é mais interessante “criar um som que remeta àquela época”. Ok. A realização do filme ficará por conta da produtora de Liam, a In1Productions, em associação com a Revolutions Films, produtora independente. O projeto é uma adaptação do livro The Longest Cocktail Party: An Insider’s Diary of The Beatles, Their Million Dollar Apple Empire and Its Wild Rise and Fall, escrito por Richard DiLello.

Trailer de  Megamind, a nova animação da DreamWorks

O que mais chama a atenção na nova aventura da DreamWorks é sua história. Megamind, o vilão mais inteligente do mundo, cria elaborados planos para controlar Metro City, a cidade da trama, mas é sempre impedido pelo herói Metro Man. Até que um dia ele mata seu oponente. E percebe que sua vida ficou “sem graça”. Para resolver a situação, Megamind cria um novo inimigo, maior e mais forte. Mas as coisas parecem sair um pouco de seu controle…e talvez ele tenha que bancar o herói. Como se a história legal já não bastasse, o filme ainda conta com a dublagem de gente famosa: Megamind é dublado por Will Ferrel, enquanto Metro Man tem a voz de Brad Pitt. Além dos dois, Jonah Hill e Tina Fey também integram o elenco.

P.S.: o trailer conta menos que a própria sinopse. E isso é bom!

Vitor Gonçalves

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