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Hiroshima Mon Amour

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Emmanuelle Riva e Eiji Okada

O filme que vou comentar aqui no blog é o primeiro do que eu chamo trilogia da memória – Hiroshima Mon Amour(1959), Ano Passado em Marienbad(1961) e Muriel(1963) – do diretor precursor da Nouvelle Vague, Alain Resnais. Eu coloco esses três filmes como uma trilogia pois de certa forma, os três filmes retratam o mesmo tema, a memória ou a falta de memória/esquecimento, tendo como pano de fundo os horrores de uma guerra.  O fato de colocar Resnais como percursor da Nouvelle Vague e não como um integrante do movimento, é por ele não ser tão próximo do pessoal do Cahiers du Cinéma e, seus curtas já influenciarem muito a linguagem mais livre da Nouvelle Vague, com destaque para o curta Noite e Neblina(a Ju Maffia vai comentar mais sobre a Nouvelle Vague e o cinema de autor no próximo post).

Outro ponto importante que diferencia Resnais dos outros diretores da Nouvelle Vague é como ele sempre opta por trabalhar com romancistas ou roteiristas deixando eles escreverem o roteiro ou o livro. É o caso de Marguerite Duras em Hiroshima Mon Amour, primeiro filme a ser comentado aqui. Por acaso – ou não – os três primeiros roteiristas que trabalharam com Resnais fazem parte de um movimento similar a Nouvelle Vague, só que na literatura o Nouveau Roman. Que pretendia renovar a literatura francesa e tem como principais expoentes a Marguerite Duras e o roteirista do Ano Passado em Mariembad, Allain Robbe-Grillett, que é considerado o papa  do Nouveau Roaman.

Hiroshima Mon Amour, começa com um casal se abraçado e se beijando, ela é francesa de Nevèrs e está em Hiroshima para fazer um filme ele é Japonês de Hiroshima e arquiteto. Após as primeiras imagens dos dois começamos a vagar entre corredores de um hospital, corredores de um museu que relembra a destruição da bomba. Ela narra as imagens enquanto ele diz que aquilo não aconteceu. Que ela nunca esteve lá. Nesse momento do filme Resnais mostra toda a sua habilidade como diretor, documentarista e montador. Imagens documentais dos sobreviventes, dos filhos dos sobreviventes são intercaladas com imagens de city tours pela cidade reconstruída sem nenhuma lembrança do que aconteceu. Depois desse começo brilhantemente dirigido ela observa ele dormindo. Um movimento involuntário da mão dele imediatamente acorda memórias que ela preferia esquecer.

O filme continua com ela dizendo que vai voltar para França no dia seguinte e os dois não vão poder continuar se vendo. Terminando aquela aventura. Ele ignora os pedidos dela e vai encontrar com ela no set do filme e começa a pressionar ela, fazendo perguntas sobre o seu passado em Nevèrs durante a guerra. Depois da pressão ela começa a se abrir e revelar sobre sua paixão adolescente durante a guerra. Ela teve um caso com um soldado alemão dentro da França ocupada e com o fim da guerra, o soldado é morto pelos franceses e ela sofre com as represálias, até de sua família. Teve os cabelos raspados, ficou confinada em um porão sendo constantemente humilhada. Com pena ou vergonha de sua filha, sua mãe ajuda ela a fugir para Paris. A forma como o diretor conta toda essa história com as suas imagens documentais, travellings, personagens sem nomes e diálogos fragmentados  modificou dramaticamente a forma de fazer filmes. Abrindo um novo caminho, uma nova forma de representar  e construir um filme. A importância desse filme não está na sua história de amor e sim, em como a guerra, para ambos os lados, foi devastadora e como ela nunca deve ser esquecida.

Assistir Hiroshima Mon Amour pela primeira vez é uma experiência única, assim como viver uma guerra deve ser, a personagem diz no começo do filme sobre o museu em Hiroshima, “Os filmes foram feitos o mais seriamente possível. É simples, a ilusão é tão perfeita que os turista choram. Pode-se zombar, mas o que mais um turista pode fazer senão chorar?”. Os horrores de quem viveu a guerra nunca vão ser sentidos por alguém que nunca passou por isso. O que devemos fazer é nunca esquecer para que isso nunca se repita. Hiroshima Mon Amour é um grande retrato de uma guerra e de um pós-guerra, permanecendo vivo e nos lembrando a brutalidade do ataque em Hiroshima.

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