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O Deserto Vermelho

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Monica Vitti

Fazer uma análise crítica de qualquer filme do Antonioni é uma tarefa hercúlea, que se apresenta não só pela interpretação do filme, mas também na forma de tentar explicar a história para um leitor que não esteja familiarizado com a obra do diretor. Ninguém melhor do que o Antonioni conseguiu traduzir e dar forma tão bem estruturada a um sentimento específico. O vazio existencial.

Seus planos longos, seus personagens atormentados, a diminuição do fator humano frente os cenários industriais, a frequente busca de algo pelas personagens que nunca se realiza enfim, a marca de Antonioni está impregnada não só nesse filme mas, em todo o cinema moderno especialmente no cinema novo.

Sobre o título do filme, o que melhor pode explicar é uma lenda que existe sobre o roteiro de Gritos e Sussuros do Bergman. Reza a lenda que no roteiro Bergman deixo bem claro que a cor predominante do filme deveria ser o vermelho, pois essa era a cor da alma.

No filme em questão acompanhamos Giuliana (Monica Vitti) uma dona de casa renegada física e pessoalmente pelo seu marido um operário com um cargo gerencial em uma fábrica próxima. Giuliana sofreu um “acidente” segundo seu marido e teve que ficar mais de um mês internada. Esse “acidente” só é revelado como uma tentativa de suicido por Giuliana para um amigo/amante quase no final do filme. Pode parecer uma história simples, banal, mas ai que entra o papel do diretor.

Retratada de maneira fragmentada e constantemente contrapondo imagem das pessoas com imagens da natureza devastadas pelo avanço industrial, Antonioni mostra de maneira clara onde essa sociedade vai nos levar. Tratando até de um tema muito comum nos dias de hoje. A poluição, os dejetos industriais que destroem a natureza são os subprodutos de uma avançada sociedade industrial, assim como as pessoas que nessa “avançada” sociedade vivem.

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